Pular para o conteúdo principal

Revisão de texto: perceber, ler, analisar, interpretar

As etapas da revisão de textos.

Quando revisamos um texto, no princípio do exercício do ofício, não achamos que a atividade seja dividida em fases.

Após as primeiras revisões, vários mecanismos mentais implicados na revisão fazem a atividades torna-se mais rápida, em alguns aspectos e, ao mesmo tempo, as etapas e os processos inerentes se tornam subconscientes, automatizadas.
Para refletir sobre a revisão de textos, muitas vezes escapa à consciência do revisor que tentar descrever o processo, que a tarefa essencial é analisar as fases, estando cientes de que nem sempre são momentos perceptualmente diferentes ou distinguíveis uns dos outros, que as fases, na prática da atividade de revisão de texto diariamente, podem ser conjugadas e entrelaçadas.
A revisão é um processo de camadas concêntricas em busca da comunicabilidade.
Tese, dissertação, artigo para revisar? Procure a Keimelion.
A primeira fase do processo de revisão de texto consiste na leitura. O ato da leitura é atributo principalmente de uma capacidade psicológica (cognitiva), que depende nosso aparelho sensório. Leitura mesmo, como a revisão de texto requer, é um processo principalmente inconsciente. Se não, haveria um trabalho demorado e cansativo. Grande parte das operações mentais envolvidas no ato de leitura são automáticas e inconscientes. Desta natureza, ao mesmo tempo comum e misteriosa, é importante segmentar a leitura em todas as suas fases. Os escritos de alguns psicólogos da percepção vão ajudar a tentar expandir o conhecimento desta fase inicial da revisão de texto.
A simples leitura é um ato de interpretação de texto. Quando lemos, em nossa mente, não se estabelecem as palavras que lemos como entrada em um computador pelo teclado ou scanner. Em nossas mentes, depois de ler, não temos a reprodução fotográfica ou gravação do texto lido. Em nossas mentes, nós temos uma série de impressões. Pouco provável lembrar mais que certas palavras ou frases, enquanto o resto do texto foi traduzido da linguagem verbal a um idioma que pertence a outro sistema de sinais, na maior parte desconhecidos: a linguagem mental.
A primeira operação de revisão de texto que cumpre ao revisor é não linguística, mas interlinguística e intersemiótica. As palavras são transformadas em material mental. É um processo inverso ao da narração de um sonho por quem o sonhou. Um sonho é composto de imagens, sentimentos, cheiros, gostos, raramente palavras ou números – lembre-se da ideia de que ninguém lê um texto em sonhos: a leitura verbal não vai ao subconsciente. O que está na moda hoje, o texto multimídia, é muito mais significativo, profundo, inerente aos processos mentais subconscientes. A disciplina que lida com mais este tipo de revisão de texto a partir do código mental ao verbal conhecendo o déficit entre os dois tipos relacionado à perda translacional é a psicanálise. Isto disciplinará o trâmite das ideias relevantes para tentar entender melhor o que acontece na primeira fase da revisão de texto: a leitura. Esse aspecto da revisão de texto diz respeito a todos os leitores, não apenas aos revisores.
A primeira leitura de um texto ou leitura por uma pessoa carente de ferramentas críticas, que às vezes é chamada de “ingênua”, não se revela um ato crítico. A leitura, quando a tarefa perceptual se caracteriza pela tentativa imediata e inconsciente de adivinhar ou intuir o argumento subsequente, antes de o conhecer, baseada no que se leu acima, pressupõe o desenvolvimento de texto como pré-cognição. É a tentativa de colocar esse texto em ambiente cultural, um contexto. É o fenômeno da abdução: o leitor e o revisor produzem constantes inferências sobre o que vai ser lido e, continuamente, têm confirmação, negação ou não confirmação de inferências feitas, o que lhe permite tornar-se outro, diferente, ajustando o tiro ao alvo segundo os erros antecedente e segundo vai se aproximando da meta.
A leitura já subsume a primeira interpretação involuntária, desde que o que está sendo lido não se enquadra em uma folha em branco, mas em uma base convulsa, rica em experiência, ideias e tentativas preliminares de entender. Um terreno muito individual, que dá origem a interpretações subjetivas e apenas parcialmente compartilhadas.
Isso causa alguns problemas para o leitor e, antes dele, para o revisor. Como um revisor pode tentar ler um texto com o desejo de encarnar o mais aberto espírito possível de leitor, sendo um ser humano, tem limitações enormes e permanece, no entanto, um indivíduo com gostos, preferências, antipatias, idiossincrasias. O revisor não pode pretender negar sua própria personalidade, só porque sua atividade é realizada individualmente, mas a revisão é o prelúdio para a fruição do texto por grande grupo de leitores. A negação é um mecanismo de defesa, tanto inútil quanto elementar e, em alguns casos, perigosa. É muito mais sensato tomar nota da subjetividade dos atos de leitura, incluindo aqueles de revisores. A leitura é o primeiro de uma série de processos que fazem uma interpretação subjetiva do metatexto e falível do prototexto. Semiótica e filosofia da linguagem, muitas vezes, nos ajudam a compreender a complexidade da leitura e suas vertentes interpretativas.
O crítico é um leitor particularmente atento que possui aparatos teóricos e instrumentais e é capaz de usá-los. O revisor é – ou deveria ser – dotado de ferramentas críticas particularmente qualificadas. Linguística, teoria literária, humanidades, informática, estão entre as disciplinas que nos ajudam a entender como se pode analisar criticamente um texto a ser revisado para ir além da leitura ingênua, rasa. A interpretação é um sistema circular, e a posição de responsabilidade recai no revisor quando a hermenêutica é aplicada a um texto revisado por ele. A primeira etapa em que o revisor é solicitado é a leitura textual do prototexto.
O revisor é um intérprete, uma vez que não é capaz de ler um prototexto sem pensar, mais ou menos involuntariamente, como o texto será lido e interpretado pelo destinatário final, sem pensar sobre os metatextos possíveis. Este modo de leitura deforma a interpretação, o ato de leitura, porque, além de não ser uma leitura ingênuo como definimos anteriormente, não é mesmo uma leitura crítica “normal” – revisores não fazem leituras normais. É uma leitura com muita atenção para o dominante do prototexto e a pergunta é se ele pode coincidir com o dominante do metatexto, considerando sobre o potencial impacto do texto na leitura do receptor, fazendo a análise orientada à revisão de texto, uma análise crítica muito particular. Nesta fase, o revisor conta com os subsídios da semiótica na revisão de texto.

Postagens mais visitadas deste blog

Tabela de preços de revisão de tese ou dissertação

Preços de revisão e formatação acadêmica Tema espinhoso para o revisor e para os autores: taxas, preços, pagar por lauda , remuneração justa… Infelizmente, não existe preço padrão – como não existe serviço estandardizado, há excelentes revisores de textos na praça, e outros não tão bons ; mas existem tendências que podem tornar-se prática e sobre as quais vamos comentar. Para saber com segurança o preço do serviço, solicite um orçamento. Não se deixe impressionar pelo preço baixo na hora de contratar um revisor de textos: pode sair muito caro! Contrate o melhor.  Assim como como em serviços de tradução, geralmente, o preço da revisão é calculado por lauda. Para alguns, este termo – lauda – indica um texto de 1200 a 2200 caracteres, como muitos editores, revisores, tradutores e agentes literários, nós entendemos por lauda um texto de 1500 caractere com espaços. Esse não é um número mágico, apenas é o que corresponde, aproximadamente, à página A4, com texto em corpo 12 e espaço 1,5. A

Referências pela ABNT para Word

O Word faz o controle e a formatação das citações O programa da Microsoft está apto a trabalhar com várias normas , inclusive as da ABNT. Aprenda a usar a ferramenta e simplifique sua vida na hora de fazer sua tese ou mesmo para um artigo a ser publicado . Ilumine seu texto revisando e formatando na Keimelion. Uma importante Ferramenta do Microsoft Word é o seu Gerenciador de Fontes Bibliográficas. Para quem está escrevendo um trabalho acadêmico - uma tese, dissertação, artigo científico - ou qualquer outro texto que requeira citações normatizadas, é importante cadastrar as referências do trabalho para depois gerar a listagem dos documentos consultados na pesquisa.As pessoas que redigem teses e dissertações ainda não sabem usar o Word. Pouco fazem com o programa, além do que fariam com uma máquina de escrever; assim, uma das tarefas mais penosas da redação acadêmica, o controle das citações e das referências, é feito - insistentemente - sem o uso das ferramentas do Office que facilitam

Elementos gráficos nas teses e dissertações: ilustrações, fotografias, desenhos, tabelas, diagramas

Gráficos e ilustrações integram as teses e dissertações As ilustrações que acompanham as teses ou dissertações devem estar seguidas de legenda, e deverão ser indexadas, ou lançadas em lista geral de ilustrações, como melhor convier. O revisor atentará aos textos das legendas e aos intertextos em que o elemento gráfico implicar. O formatador procurará a melhor situação espacial para os elementos na página, segundo as restrições que as normas impuserem. Os cuidados a serem tomados se referem ao excesso – cabe ponderar sobre a necessidade da ilustração e sobre a informação que ela agrega ao texto; se não for realmente pertinente, é preferível descartar; no que se refere aos gráficos, fluxogramas e outros elementos ilustrativos criados para o trabalho, é bom verificar se possuem tamanho e cores adequadas – sóbrias – como convém ao texto científico; as cores que os programas mais usuais de planilha de cálculo usam automaticamente parecem bastante adequadas, não sendo preciso inventar

A tese: material e métodos, resultados e conclusão, estilo e referências

Tese e dissertação são textos logos do gênero acadêmico As partes das teses e dissertações pode constituir subgêneros específicos A escrita da tese segue parâmetros distintos nas seções específicas do texto, guardando unidade de estilo e coerência entre todos os segmentos do trabalho. Assim, a introdução pode ter, por exemplo, uma passagem mais pessoal, que relate a ligação do autor com a temática, e partes que analisem discursos de sujeitos entrevistados podem requerer transcrições literais - segmentos repletos de oralidade, o que não é admitido em outros trechos no gênero acadêmico. Já os resumos, são outro tópico, e merecem uma postagem só para eles. O coroamento da pesquisa é a apresentação dos resultados: a tese, sua defesa, a publicação. Material e métodos: descrever equipamentos e procedimentos Nesta seção o autor deve explicar claramente como o experimento foi realizado, e como foi realizada a análise estatística dos dados, podendo também utilizar as sugestões indicadas para

Abreviatura, siglas e símbolos

Critérios de uso: siglas e abreviaturas em teses. Abreviatura é a “apresentação de uma palavra por meio de alguma(s) de suas sílabas ou letras, usada no tratamento documental”. Evitemos inventar abreviaturas , exceto aquelas que se referirem a elementos conceituais ou referências a obras clássicas repetidas extensiva e intensivamente no trabalho. Segundo recomendação da SOAPQR, evite-se o uso de abreviaturas que não sejam de domínio comum entre os leitores do texto. Entre as mais comuns universalmente aceitas, há: designação de ano ou século em relação à era cristã (a.C., d.C.); a expressão etc. (et cœtera); meses do ano em ilustração, tabelas e referências (jan., fev., mar., abr., mai., jun., jul., ago., set., out., nov., dez.); designações comerciais (Cia., Ltda., S/A, S/C). Siglas criam dificuldades para o leitor, porque exigem que sejam decifradas. A regra é evitá-las, principalmente em títulos, exceto em casos consagrados, como Aids, Bradesco, Embratel, ONU, OLP, USP. Observe-se a