Pular para o conteúdo principal

Dicas para a entrevista na seleção para mestrado ou doutorado

A entrevista da seleção é crucial, prepare-se!

A entrevista pode versar principalmente em três focos: a pessoa, a carreira acadêmica, o projeto de pesquisa. Provavelmente serão todos eles.

A entrevista de seleção para ingresso na pós-graduação lato senso, mestrado ou doutorado, é um momento de tensão em que o candidato tem poucos minutos para se dar a conhecer e apresentar sua proposta de trabalho. Apresentamos uma lista de perguntas típicas e muitas dicas para respostas. Claro que pode ser que a banca não faça essas perguntas na entrevista – quanto mais candidatos houver, menos questões a serão apresentadas – e menos chance de impressionar bem você terá. Por isso, nós compilamos um painel deliberadamente amplo para ajudá-lo a preparar uma boa argumentação.
Uma dica prévia: não cometa o erro de tentar memorizar suas respostas. A entrevista pode não se desenvolver como você imagina. Além disso, a banca procurará te desconcertar se ela sente que você está com respostas decoradas.
Não deixe para depois, aproveite nossas dicas agora como preparação para a entrevista do concurso de admissão.
Seleção de mestrado e doutorado é competição a ser vencida.
O sucesso na entrevista de admissão é o primeiro passo!

Perguntas sobre sua formação:

— Fale-me de seus estudos.

Não critique sua graduação, aponte o que houve de positivo nela, não critique nada que já tenha feito. Seja sempre positivo. Diga, em primeiro lugar, sua confiança na qualidade da sua formação; se havia pontos fracos nela, não os mencione diretamente, mas tente indicar suas estratégias para superar as deficiências. Mas não caia no extremo oposto. Não exagere sobre prestígio da graduação, principalmente se você estiver vindo de uma instituição que não seja muito famosa. Esteja ciente da perspectiva real de sua graduação. Seu currículo ensinou o básico para o trabalho, agora você tem que aprender a colocar tudo em prática. Apresente o contorno de seu projeto de trabalho, sem o incômodo de detalhes que ainda não serão pertinentes.

Outras questões mais específicas, provavelmente seguirão a seguinte linha:

— Você está propondo um estudo de caso. Qual seu interesse no objeto específico?

Na verdade, o recrutador vai tentar avaliar a qualidade de seu trabalho como estudante até ali para determinar como você vai agir em seu novo curso. Você deve mostrar que você já trabalhou no projeto, ou na área de interesse, até mesmo um pouco mais que o necessário para obter o diploma precedente.

Outro exemplo, para um estudante de literatura:

— Qual foi seu foco? Poesia? O que é que o mais impressionou em Cruz e Souza?

Se você responder que aquele autor não fazia parte do programa, o recrutador vai pensar que você estava mais interessado em obter o grau que em seus estudos. No mesmo espírito, recém-graduados (ou pós-graduados) devem ser capazes de citar as obras que estudaram e o nome de seus professores. Entenda que eles é que são sua referência profissional e não seu grau.

— Por que você escolheu esta linha de estudos?

Mostre maturidade. Mostre que você pode assumir o controle de seu destino e fazer uma escolha fundamentada de acordo com seu projeto profissional. Em qualquer caso, nunca demonstre comportamento passivo para com seus estudos. Não demonstre a escolha ter sido feita por acaso, ou sob a influência de um amigo ou um pai.

— Por que você escolheu este programa? Você não tinha outra escolha?

Alguns programas de pós-graduação são muito concorridos, outros têm grande reputação no mercado. Como resultado, eles aplicaram política de recrutamento muito elitista, ou bastante endógena, focada em alunos da própria instituição. Para conseguir ingressar, os estudantes oriundos de instituições menos prestigiosas devem se preparar para defender sua pretensão, sem bajulação, mas com propriedade. Para testar seu espírito de luta, o recrutador pode sugerir que você não deve estar preparado o suficiente para a instituição mais famosa. Esse é o significado dessa abordagem: testar seus nervos. Não se assuste nem desespere. Insista na singularidade de sua formação e mostre como se preparou adequadamente para o que está se propondo.

— Qual seu interesse ao tentar ingressar neste programa?

Mantenha a consistência entre seus gostos e suas aspirações. Se você estiver propondo um estudo de caso, por exemplo, você pode falar sobre sua experiência na matéria. Você certamente tem conhecimentos prévios do assunto, bem como bom senso para construir uma hipótese de investigação. Sinta-se livre para dizer, se esse for o caso, que a experiência é fator importante na escolha do tema, e que viu a abordagem pretendida entra as linhas de pesquisa do programa pretendido. Se o trabalho proposto for muito técnico, mostre sua preferência para os cursos com esse enfoque.

— Qual é seu ponto forte como estudante?

Cite aqueles aspectos que serão diretamente do interesse no programa a que se candidatou. Se você é graduado em escola de negócios, mencione resultados profissionais. Exemplo:

— Eu gostei do processo comercial, porque eu estava trabalhando em estudos de caso com as empresas. Os resultados foram positivos, pois proporcionaram ampliação das vendas.

Você pode expandir sua imagem, citando uma questão de conhecimentos sociológicos e econômicos. O entrevistador quer entender as razões para esse seu interesse.

— Em que seus estudos contribuíram em sua formação pessoal até agora?

Tente definir o que faz a originalidade da sua formação, em comparação a outros cursos equivalentes. Insista na abordagem técnica – ou teórica, o que couber – mas também valorize as qualidades pessoais que desenvolveu. Exemplo:

— O curso era focado no trabalho em equipe. Aprendi a expor minhas ideias e ouvir os outros.

Outro exemplo:

— Minha formação me ensinou a trabalhar rapidamente, de forma rigorosa e racional.

Sempre tente colocar os ensinamentos que você obteve comparando-as às habilidades e qualidades necessárias para ter sucesso no trabalho ou na pesquisa. Apresente a consciência que você tem sobre as vantagens do curso anterior.

— E sobre a língua estrangeira, como estão seus conhecimentos?

Não tente enganar. Se você diz que domina perfeitamente uma língua estrangeira, pode ser que o recrutador continue a conversa nessa língua. Imagine o cenário, se você mentir! Melhor sempre dizer a verdade. Exemplo:

— Eu falo três línguas, mas em níveis desiguais. Eu falo inglês fluente. Leio livros e revistas para manter meu inglês. Também tenho noções de espanhol e alemão, que eu entendo, mas ainda não sou fluente.

Para alguns programas, pode ser suficiente ou necessário o domínio de leitura em determinada língua, pode bastar que você saiba se para expressar em linguagem técnica. Esse é o caso, por exemplo, se você dominar o inglês para negócios.

— Por que você interrompeu os estudos?

Se você foi obrigado a parar seus estudos para se sustentar ou por causa de doença familiar a longo prazo, evite as fórmulas chorosas do estilo:

— Meu pai estava desempregado e ele já não podia satisfazer as necessidades dos meus irmãos e irmãs…

Mostre, ao contrário você tem demonstrado o dinamismo e agressividade diante da adversidade. Em tempos de crise econômica, mais que nunca, os programas estão procurando pessoas que superem os obstáculos. Enfatize suas experiências profissionais. Os resultados são muito mais bem-sucedidos como argumento que os problemas.

— Você tem mudado de direção algumas vezes ao longo da carreira. Você pode explicar as razões para as mudanças?

Seja sincero. Existe o direito ao erro. Explique simplesmente que sua primeira escolha não combinou com seu temperamento. Da mesma forma, se entrou em um programa de pós-graduação depois da faculdade, você pode explicar por exemplo:

— Ao final, eu percebi que o que aprendi foi muito teórico. O que me interessa agora, é a empresa. Eu precisava de uma abordagem mais prática, porque a empresa em que trabalho valoriza mais.

No entanto, nunca admita que você escolheu entrar numa escola por seu prestígio. Você deve ser capaz de demonstrar que aquela formação anterior era complementar e necessária para ter sucesso no trabalho que agrada a você.

— Você teve problemas durante a formação anterior ou tudo correu bem?

Saiba falar de seus “fracassos” de forma positiva. Cada falha é uma experiência, e toda experiência é instrutiva. Se você não conseguiu determinado resultado, as razões podem ter sido falta de preparação, o que já deve estar superado.

— Na sua opinião, qual a maior realização durante seus estudos?

Escolha uma experiência que mostre sua capacidade de empreender ou em compreender. Não se limite ao sucesso acadêmico. Lembre-se também de que histórias mais pessoais distinguem você da concorrência. Exemplo:

— Eu liderei o clube aeroespacial. Pudemos definir uma meta para construir um foguete experimental e demonstrar a viabilidade de um novo lançamento de paraquedas por sistema de despressurização. Foi a primeira vez que o sistema foi proposto. Conseguimos e ficamos muito orgulhosos do prêmio científico.

— Se você pudesse recomeçar seus estudos, você faria tudo de novo?

Algumas inconsistências em seu currículo inspiram dúvidas no recrutador acerca de sua motivação real. Cabe tranquilizá-lo. Se você estiver satisfeito com seus estudos, fale com entusiasmo. Caso contrário, você pode sempre corrigir erro de orientação, assegurando que não vai se desviar de sua formação no programa em que está se candidatando.

— Quais eram suas relações com os colegas? Manteve contato com eles?

Sim, é claro. Foi um bom ambiente e você é fez amizade com alguns colegas que você sempre revê. Dê alguns exemplos de cooperação. Pense nos estudos, opiniões e debates feitos em grupos. Lembre-se de que o objetivo da entrevista é identificar seu desempenho futuro.

— Você precisa de bolsa para financiar seu estudo? O que pretende fazer para completar sua renda?

O recrutador busca identificar sua autonomia e seu dinamismo. Sinta-se livre para falar sobre trabalho, sobre as bolsas que já teve, como fez para financiar parte de seus estudos. Os recrutadores preferem um candidato que expõe com clareza sua situação real e plausível. Não minta, alegando ou ocultando ter trabalhado durante os estudos. Isso demonstrará sua vontade, capacidade e seu conhecimento do mundo.

— Você é muito jovem para o trabalho, está imaturo para este programa…

Aos olhos de um recrutador, um jovem nunca é operacional. Ele ainda precisa ser formado, treinado. Além disso, existe o risco de jovens, muitas vezes, sem responsabilidades familiares, serem mais instáveis que os mais velhos. O medo dos recrutadores é que o candidato mude de planos – ou mude até de país. Tranquilize o recrutador. Compense sua juventude ou pouca experiência apresentando as responsabilidades e deveres desempenhados nos estágios e atividades extracurriculares. Foque os benefícios associados à juventude: dinamismo, flexibilidade intelectual, capacidade de inovação, disponibilidade e mobilidade.

— Quais são suas atividades extracurriculares?

Tentar provar que, em sua atividade como aluno, você fez algo que não seja a mera aquisição de conhecimentos. Assim, você vai demonstrar sua abertura de espírito. Se você tem sido o líder de alguma atividade, mencione; se você tiver participado de um acampamento de verão, ou se tiver sido um membro de um desporto ou associação cultural, você adquiriu um know-how que vai pesar na balança na seleção final. O medo não é a diferença. O importante é mostrar que você é um apaixonado pela vida como pelo trabalho. Certifique-se de especificar que você sabe dividir as coisas e o tempo. Lembre-se de que, em qualquer caso, sua paixão não deve interferir nos estudos ou no trabalho.
Share on Tumblr

Postagens mais visitadas deste blog

Tabela de preços de revisão de tese ou dissertação

Preços de revisão e formatação acadêmica Tema espinhoso para o revisor e para os autores: taxas, preços, pagar por lauda , remuneração justa… Infelizmente, não existe preço padrão – como não existe serviço estandardizado, há excelentes revisores de textos na praça, e outros não tão bons ; mas existem tendências que podem tornar-se prática e sobre as quais vamos comentar. Para saber com segurança o preço do serviço, solicite um orçamento. Não se deixe impressionar pelo preço baixo na hora de contratar um revisor de textos: pode sair muito caro! Contrate o melhor.  Assim como como em serviços de tradução, geralmente, o preço da revisão é calculado por lauda. Para alguns, este termo – lauda – indica um texto de 1200 a 2200 caracteres, como muitos editores, revisores, tradutores e agentes literários, nós entendemos por lauda um texto de 1500 caractere com espaços. Esse não é um número mágico, apenas é o que corresponde, aproximadamente, à página A4, com texto em corpo 12 e espaço 1,5. A

Referências pela ABNT para Word

O Word faz o controle e a formatação das citações O programa da Microsoft está apto a trabalhar com várias normas , inclusive as da ABNT. Aprenda a usar a ferramenta e simplifique sua vida na hora de fazer sua tese ou mesmo para um artigo a ser publicado . Ilumine seu texto revisando e formatando na Keimelion. Uma importante Ferramenta do Microsoft Word é o seu Gerenciador de Fontes Bibliográficas. Para quem está escrevendo um trabalho acadêmico - uma tese, dissertação, artigo científico - ou qualquer outro texto que requeira citações normatizadas, é importante cadastrar as referências do trabalho para depois gerar a listagem dos documentos consultados na pesquisa.As pessoas que redigem teses e dissertações ainda não sabem usar o Word. Pouco fazem com o programa, além do que fariam com uma máquina de escrever; assim, uma das tarefas mais penosas da redação acadêmica, o controle das citações e das referências, é feito - insistentemente - sem o uso das ferramentas do Office que facilitam

Elementos gráficos nas teses e dissertações: ilustrações, fotografias, desenhos, tabelas, diagramas

Gráficos e ilustrações integram as teses e dissertações As ilustrações que acompanham as teses ou dissertações devem estar seguidas de legenda, e deverão ser indexadas, ou lançadas em lista geral de ilustrações, como melhor convier. O revisor atentará aos textos das legendas e aos intertextos em que o elemento gráfico implicar. O formatador procurará a melhor situação espacial para os elementos na página, segundo as restrições que as normas impuserem. Os cuidados a serem tomados se referem ao excesso – cabe ponderar sobre a necessidade da ilustração e sobre a informação que ela agrega ao texto; se não for realmente pertinente, é preferível descartar; no que se refere aos gráficos, fluxogramas e outros elementos ilustrativos criados para o trabalho, é bom verificar se possuem tamanho e cores adequadas – sóbrias – como convém ao texto científico; as cores que os programas mais usuais de planilha de cálculo usam automaticamente parecem bastante adequadas, não sendo preciso inventar

Referências no texto acadêmico

Referenciação para trabalhos científicos. Antigamente, colocava-se ao fim de cada trabalho escrito uma bibliografia. Com advento de novas mídias, passou-se a usar o termo referências bibliográficas para a listagem de obras consultadas. Atualmente, a recomendação é usar apenas a expressão referências , pois elas pode ir bem além das obras livrescas, incluindo o grande número de fontes fornecidas pela internet. APA, ABNT, Vancouver, Chicago, ISO, Harvard ... São incontáveis as normas e sistemas de referenciação. A aba de referências do Word já vem com a maioria deles. Mantenha o registro das referências desde o início da pesquisa. Deixar para o fim resulta sempre em perda de informações. Mas ainda se deve se distinguir o que normalmente se confunde: Referências são o conjunto de indicações que possibilitam a identificação de documentos, publicações, no todo ou em parte. Referência : “‘Nota informativa de remissão’ (em publicação); ‘fonte de esclarecimento’ (para o leitor)” (AURÉLIO). B

Abreviatura, siglas e símbolos

Critérios de uso: siglas e abreviaturas em teses. Abreviatura é a “apresentação de uma palavra por meio de alguma(s) de suas sílabas ou letras, usada no tratamento documental”. Evitemos inventar abreviaturas , exceto aquelas que se referirem a elementos conceituais ou referências a obras clássicas repetidas extensiva e intensivamente no trabalho. Segundo recomendação da SOAPQR, evite-se o uso de abreviaturas que não sejam de domínio comum entre os leitores do texto. Entre as mais comuns universalmente aceitas, há: designação de ano ou século em relação à era cristã (a.C., d.C.); a expressão etc. (et cœtera); meses do ano em ilustração, tabelas e referências (jan., fev., mar., abr., mai., jun., jul., ago., set., out., nov., dez.); designações comerciais (Cia., Ltda., S/A, S/C). Siglas criam dificuldades para o leitor, porque exigem que sejam decifradas. A regra é evitá-las, principalmente em títulos, exceto em casos consagrados, como Aids, Bradesco, Embratel, ONU, OLP, USP. Observe-se a