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Padrões de editoração acadêmica: estrutura e estilo

A editoração estrutural de uma tese ou dissertação requer domínio dos fundamentos da editoração acadêmica e se baliza pelas seguintes capacidades:


2 Padrões para editoração acadêmica estrutural.

Edição estrutural é avaliar e trabalhar os originais (manuscritos) para melhorar a sua organização e conteúdo.
AVALIAÇÃO

2.1 Avaliar a organização geral e o conteúdo do material para determinar sua adequação para o
O revisor de uma tese considera a língua e o contexto. Nada pode escapar à revisão.
A estrutura e o estilo de uma tese
ou dissertação são objetos da
revisão tanto quanto a ortografia.
público-alvo, mídia e finalidade.

ORGANIZAÇÃO

2.2 Reorganizar o material para obter estrutura coerente e sequencial. Obter progressão lógica das ideias e narrativa ou fluxo expositivo apropriado ao público, mídia e finalidade, tendo em mente que a mídia, muitas vezes, determina a organização (por exemplo: a estrutura de pirâmide invertida de um artigo de jornal, o arranjo dedutivo dos capítulos da tese, a estrutura linkada de um site).
2.3 Determinar e indicar ou implementar o posicionamento mais eficaz de todos os elementos visuais.
2.4 Revisar, cortar, ou expandir o material ou sugerir tais mudanças, para atender aos requisitos de extensão.

CONTEÚDO

2.5 Identificar e recomendar ou fazer exclusões apropriadas (por exemplo: para remover passagem repetitiva ou supérflua) e adições (por exemplo: para preencher lacunas no conteúdo ou reforçar as transições entre as seções) no texto e elementos visuais.
2.6 Reconhecer e consultar ou resolver instâncias de precisão questionável, investigação inadequada e desequilíbrio no conteúdo.
2.7 Reconhecer e reformular de material que seria melhor apresentado de outra forma (por exemplo: texto carregado de número, converter em tabela, material descritivo como diagrama, longa série de pontos como lista, longa digressão como apêndice).
2.8 Selecionar, criar ou corrigir os elementos visuais adequados (por exemplo: imagens, barras laterais, rubricas, notas), se necessário, de acordo com os requisitos e restrições impostas (por exemplo: orçamento, cronograma, formato, mídia, normas). Determinar o comprimento de legendas e conteúdo apropriado.
2.9 Identificar, criar, ou corrigir o material complementar e referências apropriadas (por exemplo: glossários, notas, itens de menu de Web, hiperlinks).
2.10 Criar ou garantir o exato e completo material contextual (por exemplo: informações de cabeçalho em revistas, notas remissivas a livros, navegação Web e conteúdo da ajuda para publicações eletrônicas).
2.11 Determinar se as permissões são necessárias (por exemplo: para imagens, citações, trechos de áudio). Se necessário, obter essas permissões ou levar o assunto à atenção da pessoa adequada.

COMUNICAÇÃO

2.12 Comunicar claramente e diplomaticamente com o autor ou supervisor do projeto para confirmar a estrutura, solicitar esclarecimentos do conteúdo e propor ou negociar alterações editoriais amplas.

3 Padrões para edição estilística


A edição de estilo acadêmico visa conferir clareza ao sentido pretendido, melhorar o fluxo e suavizar a linguagem técnica. Um revisor profissional do gênero de texto acadêmico domina os fundamentos da edição e se pauta pelos seguintes padrões:

CLAREZA

3.1 Melhorar a construção das frases para mais efetivamente transmitir o significado (por exemplo: usando estruturas subordinadas para ideias subordinadas, preferindo voz ativa à passiva em descrições, substituindo construções negativas por afirmativas).
3.2 Melhorar a escolha de palavras para transmitir significado mais preciso (por exemplo: por substituição do geral e abstrato pelo específico e concreto (ou vice-versa), substituindo as sequências de substantivos, eliminando clichês e eufemismos).

3.3 Reescrever as frases, parágrafos, e passagens para resolver ambiguidades, certificar-se de conexões lógicas e de esclarecer com o autor significados ou intenções, em harmonia com o estilo do texto.
3.4 Melhorar frases, parágrafos, ou passagens, tornando o argumento inteligível, mudando o mínimo possível para preservar ao máximo a voz do autor.
3.5 Assegurar que todas as tabelas, fotos, multimídia e outros elementos visuais sejam claros e transmitam eficazmente o significado pretendido.

FLUÊNCIA

3.6 Garantir a transição entre frases e entre parágrafos, propiciando o desenvolvimento coerente do texto como todo.
3.7 Reordenar as frases dentro do parágrafo, quando necessário, para garantir foco claro e coerente.
3.8 Ajustar o comprimento das estruturas frasais e paragrafais para garantir a variedade ou consistência, como apropriado para a público e mídia.

LÍNGUA

3.9 Determine o registro da língua e leitura apropriado para o público alvo e médio, editar para estabelecer ou manter a uniformidade linguística correspondente (por exemplo: traduzindo o jargão em termos compreensíveis, usando vocabulário apropriado ao material, evitando frases longas ou complicadas).
3.10 Estabelecer ou manter um estilo consistente e autoral voz ou nível de formalidade adequado ao público e mídia.
3.11 Eliminar lacunas (por exemplo: excluindo frases vazias, desnecessários).

COMUNICAÇÃO

3.13 Marcar as alterações e sugestões claramente e segundo a convenção. Usar o sistema o de controlar alterações, ferramentas de marcação do PDF ou Word.
3.14 Julgar quando consultar o autor ou quando dar solução resolutiva à interferência.
3.15 Comunicar claramente e diplomaticamente com o autor do projeto para esclarecimento de significado ou intenção, explicar as alterações, conforme o caso, e propor ou negociar alterações editoriais significativas.

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