Pular para o conteúdo principal

Para escrever um texto melhor

O grande esforço de quem redige, principalmente no caso dos textos acadêmicos longos, teses, dissertações, artigos, é aperfeiçoar seu texto e aperfeiçoar sua escrita.

Escrever um texto é atividade que exige muito da pessoa, o que é normal, posto que seja uma atividade alicerçada em vários conhecimentos bem diferentes da fala e que se empregam menos que ela. Tal aspecto, por si, explica parcialmente porque aprender a língua escrita pode parecer com aprender a falar uma língua estrangeira!
Há detalhes na redação da tese e da dissertação que requerem o apoio do revisor de textos
Escrever textos longos requer atenção
e apoio de revisor competente.
Você deve estar consciente do fato que sempre sobram erros linguísticos em seu trabalho escrito – sejam poucos ou muitos! Hoje se sabe que é quase impossível escrever sem cometer desvios das normas ou lapsos, pela simples razão de que é impossível dividir a atenção entre o conteúdo (expressão e gestão das ideias) e a forma (transcrição gráfica apropriada). O domínio da língua escrita advém, em boa parte, mais da capacidade de reescrita: localizar seus erros e repará-los – que da capacidade para escrever tudo sem erro diretamente! Mas é também verdade que, à medida que o autor reescreve de forma eficaz e aperfeiçoa seu conhecimento linguístico, ele automatiza processos que se tornam aplicáveis em textos ulteriores.
Nesse processo de aperfeiçoamento do escrito e das escrituras, há ainda a interferência e a colaboração dos revisores profissionais de textos, que indicam aos autores problemas em seu texto e, mais que promover ajustes naquele produto, propiciam também aperfeiçoamentos na redação autoral que serão sucessivamente implementados nas produções seguintes. Nesse sentido, a atividade do revisor tem certa semelhança com o papel do professor de redação, mas em estágio mais elevado, pois trata-se de oferecer recursos e alternativas que ampliem o cabedal do autor, não de lecionar para ele.
Na universidade, quando o professor constata que seu trabalho contém erros de ortografia, sintaxe, léxico, a intervenção dele se limita, muitas vezes, a indicar pontos fracos, falhas superficiais recidivas. O que os revisores oferecem é uma abordagem linguística de revisão, intervenção e sugestões bem mais profundas, abordagem aplicável à reescrita e que acrescenta ao autor ou ao texto mais que a “correção” feita pelo professor ou orientador – inclusive pelo fato de o revisor ser profissional de língua, o que não acontece com a maioria dos orientadores, exceto quando a área de estudo é mesmo a da linguística aplicada. O revisor permitirá que o autor, ao reescrever operando com conceitos e regras da língua escrita, tome consciência fenômenos linguísticos alheios ao conhecimento de professores de outras áreas.
A seguir, apresentamos uma série de tópicos a serem considerados como balizas qualitativas de um texto, principalmente quando se trata do texto acadêmico longo, como a dissertação o a tese. São aspetos a serem considerados na hierarquia das construções textuais, desde a frase, o parágrafo, os tópicos e capítulos. São as partes e o todo, conjugados e harmônicos que constituem o texto longo, o que é bem mais complexo que a ideia pobre e usual de nossos dias de se juntarem alguns artigos dizendo que constituem uma tese – sendo que cada um deles pode até ser um texto, mas agregá-los não constituirá outro texto; por si, não necessariamente.

Ortografia no texto científico

O português, como grande número de línguas, tem escrita alfabética. Basicamente, as letras e símbolos que nós usamos para escrever representam sons (em outros sistemas, os signos representam ideias ou coisas, como no chinês). No entanto, esta característica de nossa língua (e do francês ou inglês, por exemplo), tem o defeito de que a relação entre os sons e os sinais que os representam não é perfeita. Na verdade, um mesmo grafema (este termo é mais preciso que letra ou símbolo) pode representar dois sons ou vários (por exemplo: o “x” representa vários sons: êxito, eixo, hexacampeão) enquanto um mesmo som (ou fonema) pode ser representado por grafemas diferentes (por exemplo: osso, poço). Há ainda grafemas que não representam sons (h) e as inúmeras exceções que tudo complicam.
Além das letras, nosso sistema escrever inclui acentos (agudo, circunflexo, grave) e sinais auxiliares como o trema, cedilha, hífen… Só de olhar o teclado do computador dá para ter ideia dos vários elementos que compõem nossa escrita.
Quanto mais complexo o texto, e o texto científico apresenta a complexidade de que está construindo um conhecimento, apresentando-o ou contestando alguma ideia, quanto mais complexo, maior o número de palavras nele que foge do uso do dia a dia, portanto, haverá palavras cujos sons não são familiares e cuja registro gráfico pode representar risco. Além disso, a própria complexidade representa desvio da atenção, retirando-a de elementos sintáticos e ortográficos.
O texto científico ainda lida com palavras importadas de outras línguas, muitas transliteradas (registradas em um sistema gráfico diferente do original, do hebraico para o latino, por exemplo), incorrendo em variações de critérios nas adaptações que não podem subsistir em benefício da uniformidade.

A ortografia e a gramática

O dicionário é especialmente útil para saber o sentido de palavras e a forma de as escrever, as gramáticas fornecem as normas de uso inferidas dos textos. Há gramáticas normativas, que prescrevem o uso consagrado, e gramáticas dos usos, que constatam os registros correntes. Cabe aos autores saber fazer uso dessas ferramentas, mas é do domínio do revisor de textos o conhecimento técnico que identifica questões sobre as quais o autor não estará alerta, apresentando os problemas e eventuais soluções ao autor.

Pontuação

Muitas vezes se diz que pontuação é para apresentar as pausas no texto, ou para direcionar a respiração durante a leitura. Pode até ser, em caso de texto literário, e só em parte, não se deve pensar assim em um texto atual – muito menos em um texto acadêmico. A pontuação é muito estreitamente relacionada à estrutura sintática. Se você for capaz de analisar razoavelmente as frases que escrever (analisar sintaticamente), correrá menos riscos de equívocos na pontuação. A pontuação contribui e deriva da estruturação de texto escritos.

A consistência textual

O que é um texto? Você, sem dúvida, concorda com o fato de que não basta alinhar algumas frases para ter um texto. Pode-se definir texto como um conjunto estruturado e consistente de frases transportando uma mensagem e realizando uma comunicação intencional.
O conceito de coerência textual refere-se a essa característica intrínseca ao texto: ele é um conjunto estruturado e coerente de frases escritas para, por exemplo, convencer um leitor dos benefícios da atividade física para a saúde. Mas é muito mais difícil de entender o que é um bom texto e um mal texto. Não obstante, há elementos que podem ser analisados isoladamente e constituem a consistência textual, raiz da própria qualidade que se busca: continuidade, progressão, coesão, coerência lógica, temporal, espacial. Cada aspecto desses pode ser compreendido intuitivamente, ou pode-se estender o quanto se desejar o estudo sobre qualquer um deles. Por enquanto, ficamos por aqui.

Postagens mais visitadas deste blog

Tabela de preços de revisão de tese ou dissertação

Cálculo dos preços para revisão e formatação de textos acadêmicos. Tema espinhoso para o revisor e para os autores: taxas, preços, pagar por lauda, remuneração justa… Infelizmente, não existe preço padrão – como não existe serviço estandardizado, há excelentes revisores de textos na praça, e outros não tão bons; mas existem tendências que podem tornar-se prática e sobre as quais vamos comentar.
Assim como como em serviços de tradução, geralmente, o preço da revisão é calculado por lauda. Para alguns, este termo – lauda – indica um texto de 1200 a 2200 caracteres, como muitos editores, revisores, tradutores e agentes literários, nós entendemos por lauda um texto de 1500 caractere com espaços. Esse não é um número mágico, apenas é o que corresponde, aproximadamente, à página A4, com texto em corpo 12 e espaço 1,5. Assim, nossa lauda quase corresponde ao número de páginas do trabalho acadêmico usual. Mas muitos fatores interferem: quantidade de imagens, notas de rodapé, por exemplo. Com…

Elementos gráficos nas teses e dissertações: ilustrações, fotografias, desenhos, tabelas, diagramas

As ilustrações que acompanham as teses ou dissertações devem estar seguidas de legenda, e deverão ser indexadas, ou lançadas em lista geral de ilustrações, como melhor convier. O revisor atentará aos textos das legendas e aos intertextos em que o elemento gráfico implicar. O formatador procurará a melhor situação espacial para os elementos na página, segundo as restrições que as normas impuserem.
Dependendo do número delas e dos seus tipos, a numeração pode ser por cada tipo (Foto 1, Foto 2... Tabela 1, Tabela 2...) e também pode a numeração fazer referência ao capítulo em que o elemento gráfico foi inserido (Foto 2-1, Foto 2-2...); as alternativas ficam abertas à adequação de cada caso.
Várias são as possibilidades atuais de introdução de ilustrações no texto. A disposição das ilustrações pode se subordinar à sua natureza, ao texto ou à exigência de destino do trabalho, com amplas possibilidades.
Os cuidados a serem tomados se referem ao excesso – cabe ponderar sobre a necessidade da il…

Referências pela ABNT para Word

O Word faz para você o controle e a formatação das citações, por qualquer norma, inclusive as da ABNT. Aprenda a usar a ferramenta e simplifique sua vida na hora de fazer sua tese ou mesmo para um artigo a ser publicado. As pessoas que redigem teses e dissertações ainda não sabem usar o Word. Pouco fazem com o programa, além do que fariam com uma máquina de escrever; assim, uma das tarefas mais penosas da redação acadêmica, o controle das citações e das referências, é feito - insistentemente - sem o uso das ferramentas do Office que facilitam esses serviços. Uma importante Ferramenta do Microsoft Word é o seu Gerenciador de Fontes Bibliográficas. Para quem está escrevendo um trabalho acadêmico - uma tese, dissertação, artigo científico - ou qualquer outro texto que requeira citações normatizadas, é importante cadastrar as referências do trabalho para depois gerar a listagem dos documentos consultados na pesquisa. Sim, vou ser bem claro: o Word faz as referenciações das citações (dire…

Estrutura da tese de doutorado - ou da dissertação de mestrado

A estrutura sugerida de tese pode ser observada em outra tese; quem faz um doutorado há de ter lido várias teses e visto como deve ser, mas aqui se faz a abstração dessa estrutura. Trata-se de um modelo idealizado. Os elementos sugeridos abaixo são adequados para uma tese experimental ou teórica. Em alguns casos, um ou dois deles podem não ser aplicáveis. Verifique o que é adequado a seu caso. Claro que tudo isso serve também para a dissertação, mas em ponto menor.
Estas sugestões aqui são muito importantes: Faça uma lista para pontos do que serão alocados em cada capítulo. Tente fazer essa lista bastante detalhada, coloque pontos que correspondam às seções ou parágrafos da tese em redação. Não precisa colocar todos os pontos de primeira, a lista vai crescendo – à medida em que as ideias surgem – e diminuindo – quando os pontos listados, alcançados, forem sendo cortados. Nessa fase, pode ser difícil pensar a lógica de apresentação dentro dos capítulos, muitas vezes é possível apresen…

Referências no texto acadêmico

Antigamente, colocava-se ao fim de cada trabalho escrito uma bibliografia. Com advento de novas mídias, passou-se a usar o termo referências bibliográficas para a listagem de obras consultadas. Atualmente, a recomendação é usar apenas a expressão referências, pois elas pode ir bem além das obras livrescas. Mas ainda se deve se distinguir o que normalmente se confunde: Referências são o conjunto de indicações que possibilitam a identificação de documentos, publicações, no todo ou em parte. Referência: “‘Nota informativa de remissão’ (em publicação); ‘fonte de esclarecimento’ (para o leitor)” (AURÉLIO). Bibliografia é o conjunto de obras (livros) pesquisadas a que o leitor pode recorrer para aprofundamento sobre o assunto do trabalho. “Documento que apresenta lista de referências bibliográficas, usadas em ordem alfabética, relativas a um ou mais assuntos. Parte de uma obra na qual se listam as referências bibliográficas de obras recomendadas para leitura complementar” (AURÉLIO). Em geral…