Dicas para a entrevista na seleção para mestrado ou doutorado

A entrevista de seleção para ingresso na pós-graduação lato senso, mestrado ou doutorado, é um momento de tensão em que o candidato tem poucos minutos para se dar a conhecer e apresentar sua proposta de trabalho. Apresentamos uma lista de perguntas típicas e muitas dicas para respostas. Claro que pode ser que a banca não faça essas perguntas na entrevista – quanto mais candidatos houver, menos questões a serão apresentadas – e menos chance de impressionar bem você terá. Por isso, nós compilamos um painel deliberadamente amplo para ajudá-lo a preparar uma boa argumentação.
Seleção de mestrado e doutorado é competição a ser vencida.
O sucesso na entrevista de
admissão é o primeiro passo!
Uma dica prévia: não cometa o erro de tentar memorizar suas respostas. A entrevista pode não se desenvolver como você imagina. Além disso, a banca procurará te desconcertar se ela sente que você está com respostas decoradas.
Não deixe para depois, aproveite nossas dicas agora como preparação para a entrevista do concurso de admissão.

Perguntas sobre sua formação:

— Fale-me de seus estudos.
Não critique sua graduação, aponte o que houve de positivo nela, não critique nada que já tenha feito. Seja sempre positivo. Diga, em primeiro lugar, sua confiança na qualidade da sua formação; se havia pontos fracos nela, não os mencione diretamente, mas tente indicar suas estratégias para superar as deficiências. Mas não caia no extremo oposto. Não exagere sobre prestígio da graduação, principalmente se você estiver vindo de uma instituição que não seja muito famosa. Esteja ciente da perspectiva real de sua graduação. Seu currículo ensinou o básico para o trabalho, agora você tem que aprender a colocar tudo em prática. Apresente o contorno de seu projeto de trabalho, sem o incômodo de detalhes que ainda não serão pertinentes.

Outras questões mais específicas, provavelmente seguirão a seguinte linha:

— Você está propondo um estudo de caso. Qual seu interesse no objeto específico?
Na verdade, o recrutador vai tentar avaliar a qualidade de seu trabalho como estudante até ali para determinar como você vai agir em seu novo curso. Você deve mostrar que você já trabalhou no projeto, ou na área de interesse, até mesmo um pouco mais que o necessário para obter o diploma precedente.

Outro exemplo, para um estudante de literatura:

— Qual foi seu foco? Poesia? O que é que o mais impressionou em Cruz e Souza?
Se você responder que aquele autor não fazia parte do programa, o recrutador vai pensar que você estava mais interessado em obter o grau que em seus estudos. No mesmo espírito, recém-graduados (ou pós-graduados) devem ser capazes de citar as obras que estudaram e o nome de seus professores. Entenda que eles é que são sua referência profissional e não seu grau.
— Por que você escolheu esta linha de estudos?
Mostre maturidade. Mostre que você pode assumir o controle de seu destino e fazer uma escolha fundamentada de acordo com seu projeto profissional. Em qualquer caso, nunca demonstre comportamento passivo para com seus estudos. Não demonstre a escolha ter sido feita por acaso, ou sob a influência de um amigo ou um pai.
— Por que você escolheu este programa? Você não tinha outra escolha?
Alguns programas de pós-graduação são muito concorridos, outros têm grande reputação no mercado. Como resultado, eles aplicaram política de recrutamento muito elitista, ou bastante endógena, focada em alunos da própria instituição. Para conseguir ingressar, os estudantes oriundos de instituições menos prestigiosas devem se preparar para defender sua pretensão, sem bajulação, mas com propriedade. Para testar seu espírito de luta, o recrutador pode sugerir que você não deve estar preparado o suficiente para a instituição mais famosa. Esse é o significado dessa abordagem: testar seus nervos. Não se assuste nem desespere. Insista na singularidade de sua formação e mostre como se preparou adequadamente para o que está se propondo.
— Qual seu interesse ao tentar ingressar neste programa?
Mantenha a consistência entre seus gostos e suas aspirações. Se você estiver propondo um estudo de caso, por exemplo, você pode falar sobre sua experiência na matéria. Você certamente tem conhecimentos prévios do assunto, bem como bom senso para construir uma hipótese de investigação. Sinta-se livre para dizer, se esse for o caso, que a experiência é fator importante na escolha do tema, e que viu a abordagem pretendida entra as linhas de pesquisa do programa pretendido. Se o trabalho proposto for muito técnico, mostre sua preferência para os cursos com esse enfoque.
— Qual é seu ponto forte como estudante?
Cite aqueles aspectos que serão diretamente do interesse no programa a que se candidatou. Se você é graduado em escola de negócios, mencione resultados profissionais. Exemplo:
— Eu gostei do processo comercial, porque eu estava trabalhando em estudos de caso com as empresas. Os resultados foram positivos, pois proporcionaram ampliação das vendas.
Você pode expandir sua imagem, citando uma questão de conhecimentos sociológicos e econômicos. O entrevistador quer entender as razões para esse seu interesse.
— Em que seus estudos contribuíram em sua formação até agora?
Tente definir o que faz a originalidade da sua formação, em comparação a outros cursos equivalentes. Insista na abordagem técnica – ou teórica, o que couber – mas também valorize as qualidades pessoais que desenvolveu. Exemplo:
— O curso era focado no trabalho em equipe. Aprendi a expor minhas ideias e ouvir os outros.
Outro exemplo:
— Minha formação me ensinou a trabalhar rapidamente, de forma rigorosa e racional.
Sempre tente colocar os ensinamentos que você obteve comparando-as às habilidades e qualidades necessárias para ter sucesso no trabalho ou na pesquisa. Apresente a consciência que você tem sobre as vantagens do curso anterior.
— E sobre a língua estrangeira, como estão seus conhecimentos?
Não tente enganar. Se você diz que domina perfeitamente uma língua estrangeira, pode ser que o recrutador continue a conversa nessa língua. Imagine o cenário, se você mentir! Melhor sempre dizer a verdade. Exemplo:
— Eu falo três línguas, mas em níveis desiguais. Eu falo inglês fluente. Leio livros e revistas para manter meu inglês. Também tenho noções de espanhol e alemão, que eu entendo, mas ainda não sou fluente.
Para alguns programas, pode ser suficiente ou necessário o domínio de leitura em determinada língua, pode bastar que você saiba se para expressar em linguagem técnica. Esse é o caso, por exemplo, se você dominar o inglês para negócios.
— Por que você interrompeu os estudos?
Se você foi obrigado a parar seus estudos para se sustentar ou por causa de doença familiar a longo prazo, evite as fórmulas chorosas do estilo:
— Meu pai estava desempregado e ele já não podia satisfazer as necessidades dos meus irmãos e irmãs…
Mostre, ao contrário você tem demonstrado o dinamismo e agressividade diante da adversidade. Em tempos de crise econômica, mais que nunca, os programas estão procurando pessoas que superem os obstáculos. Enfatize suas experiências profissionais. Os resultados são muito mais bem-sucedidos como argumento que os problemas.
— Você tem mudado de direção algumas vezes ao longo da carreira. Você pode explicar as razões para as mudanças?
Seja sincero. Existe o direito ao erro. Explique simplesmente que sua primeira escolha não combinou com seu temperamento. Da mesma forma, se entrou em um programa de pós-graduação depois da faculdade, você pode explicar por exemplo:
— Ao final, eu percebi que o que aprendi foi muito teórico. O que me interessa agora, é a empresa. Eu precisava de uma abordagem mais prática, porque a empresa em que trabalho valoriza mais.
No entanto, nunca admita que você escolheu entrar numa escola por seu prestígio. Você deve ser capaz de demonstrar que aquela formação anterior era complementar e necessária para ter sucesso no trabalho que agrada a você.
— Você teve problemas durante a formação anterior ou tudo correu bem?
Saiba falar de seus “fracassos” de forma positiva. Cada falha é uma experiência, e toda experiência é instrutiva. Se você não conseguiu determinado resultado, as razões podem ter sido falta de preparação, o que já deve estar superado.
— Na sua opinião, qual a maior realização durante seus estudos?
Escolha uma experiência que mostre sua capacidade de empreender ou em compreender. Não se limite ao sucesso acadêmico. Lembre-se também de que histórias mais pessoais distinguem você da concorrência. Exemplo:
— Eu liderei o clube aeroespacial. Pudemos definir uma meta para construir um foguete experimental e demonstrar a viabilidade de um novo lançamento de paraquedas por sistema de despressurização. Foi a primeira vez que o sistema foi proposto. Conseguimos e ficamos muito orgulhosos do prêmio científico.
— Se você pudesse recomeçar seus estudos, você faria tudo de novo?
Algumas inconsistências em seu currículo inspiram dúvidas no recrutador acerca de sua motivação real. Cabe tranquilizá-lo. Se você estiver satisfeito com seus estudos, fale com entusiasmo. Caso contrário, você pode sempre corrigir erro de orientação, assegurando que não vai se desviar de sua formação no programa em que está se candidatando.
— Quais eram suas relações com os colegas? Manteve contato com eles?
Sim, é claro. Foi um bom ambiente e você é fez amizade com alguns colegas que você sempre revê. Dê alguns exemplos de cooperação. Pense nos estudos, opiniões e debates feitos em grupos. Lembre-se de que o objetivo da entrevista é identificar seu desempenho futuro.
— Você precisa de bolsa para financiar seu estudo? O que pretende fazer para completar sua renda?
O recrutador busca identificar sua autonomia e seu dinamismo. Sinta-se livre para falar sobre trabalho, sobre as bolsas que já teve, como fez para financiar parte de seus estudos. Os recrutadores preferem um candidato que expõe com clareza sua situação real e plausível. Não minta, alegando ou ocultando ter trabalhado durante os estudos. Isso demonstrará sua vontade, capacidade e seu conhecimento do mundo.
— Você é muito jovem para o trabalho, está imaturo para este programa…
Aos olhos de um recrutador, um jovem nunca é operacional. Ele ainda precisa ser formado, treinado. Além disso, existe o risco de jovens, muitas vezes, sem responsabilidades familiares, serem mais instáveis que os mais velhos. O medo dos recrutadores é que o candidato mude de planos – ou mude até de país. Tranquilize o recrutador. Compense sua juventude ou pouca experiência apresentando as responsabilidades e deveres desempenhados nos estágios e atividades extracurriculares. Foque os benefícios associados à juventude: dinamismo, flexibilidade intelectual, capacidade de inovação, disponibilidade e mobilidade.
— Quais são suas atividades extracurriculares?
Tentar provar que, em sua atividade como aluno, você fez algo que não seja a mera aquisição de conhecimentos. Assim, você vai demonstrar sua abertura de espírito. Se você tem sido o líder de alguma atividade, mencione; se você tiver participado de um acampamento de verão, ou se tiver sido um membro de um desporto ou associação cultural, você adquiriu um know-how que vai pesar na balança na seleção final. O medo não é a diferença. O importante é mostrar que você é um apaixonado pela vida como pelo trabalho. Certifique-se de especificar que você sabe dividir as coisas e o tempo. Lembre-se de que, em qualquer caso, sua paixão não deve interferir nos estudos ou no trabalho.
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