Problemas na escrita de tese

Uma tese é a espinha dorsal da pesquisa; o eixo e as balizas são estabelecidos no projeto de trabalho do pesquisador, o produto passa pelo revisor do texto, pelo orientador e pela banca e traduz em palavras o histórico, os resultados do trabalho investigativo e suas inferências.

Tudo que se refere à tese de doutorado, do projeto à revisão do texto e sua defesa, aplica-se também à dissertação de mestrado – apenas, em ponto menor – por se tratar de um trabalho menos ambicioso.
Revisar uma tese é infinitamente mais que corrigir gramática.
Boa parte dos problemas para
escrever a tese referem-se
a ordenação dos dados.
A tese é uma ideia no cérebro que usa os caminhos de nervos para atingir as vértebras e outros sistemas musculares e esqueléticos do corpo do trabalho. Cada
pesquisador quer escrever uma tese da melhor forma possível, já que ela é o primeiro documento de investigação realmente importante na vida do pesquisador. Muitos estudantes fazem trabalhos de investigação facilmente; mas quando se trata de escrever a tese, transformar em texto os resultados da investigação, eles são um fracasso. Há grande variedade de problemas a serem enfrentados pelos pesquisadores enquanto estão se preparando para escrever a tese – principalmente a do doutoramento.

A sinopse da tese: na cabeça e no papel

Escrever uma boa tese é obrigatório, já que ela será lida e julgada pela banca
pelos examinadores internos e externos. Grande variedade de recursos devem ser usados para escrever a boa tese. Claro que tudo parte de um bom projeto. Um bom orientador é fundamental para a maioria dos doutorandos. Formar uma boa parceria com um revisor de textos profissional, que subsidie na redação de artigos durante a o curso e depois lustre o texto final a ponto de a banca não ver senão o mínimo problema textual, é importantíssimo.
A tese bem escrita parte de uma sinopse na qual as ideias principais estão apontadas. Essa sinopse da tese é um guia do pesquisador que o leva ao longo do caminho certo e evita ficar perdido ou perder a referência de pensamentos relevantes. É uma boa ideia escrever a sinopse de tese sobre uma etiqueta autoadesiva e mantê-la bem em sua frente. Será um guia perfeito para o processo de escrita de tese. Essa sinopse, quase decorada, será a resposta à pergunta que muitas vezes o doutorando responderá: “— Sua tese vai ser sobre o quê?” E o pesquisador enfadado fala por um minuto para depois ouvir a inevitável resposta: “— Hum… interessante!” Se você tiver uma boa sinopse, terá bastante consciência de seu objeto e de seu objetivo – e os poderá “jogar na cara” de quem fizer a pergunta clássica.
Estamos chamando de sinopse o que em inglês se diz thesis statement – uma frase ou duas em seu texto que contém o foco do trabalho e diz ao leitor o que o trabalho será ou o que ele contém. Embora seja possível escrever um bom texto sem ter escrito a sinopse (muitos artigos, por exemplo, conter apenas uma sinopse implícita), a falta da sinopse pode muito bem ser um sintoma de o texto padece por falta de foco. Pode-se pensar a sinopse como um guarda-chuva: tudo o que você pretende cobrir em seu texto tem que caber sob esse guarda-chuva, e se você tentar carregar objetos que não cabem ali, você terá que obter um guarda-chuva maior ou algo vai ficar molhado.
A sinopse também é um bom parâmetro para o âmbito da sua intenção. O princípio a lembrar é que, quando você tenta fazer coisas demais, você acaba fazendo menos ou absolutamente nada. Podemos escrever uma boa tese sobre problemas do ensino superior nos últimos nos anos? Na melhor das hipóteses, esse texto seria vago e disperso em sua abordagem. Podemos escrever um bom trabalho sobre problemas no ensino superior no Brasil? Bem, nós estamos chegando lá, mas ainda é um tema terrivelmente amplo, algo que pode ser capaz encher um livro enorme, mas certamente não cabe em uma tese de doutorado normal. Mas pode-se pensar em escrever uma tese sobre problemas do ensino superior no Rio de Janeiro na década de 1970 – com alguma probabilidade de êxito. Estamos estreitando as balizas, efetuando cortes temporais e geográficos (e serão necessários outros limites ainda!). Ao começar a escrever, veremos que estamos deixando de fora tanta informação, tantas ideias, que não estamos realizando muito. O que se escreveu sobre o problema de faculdades no Rio estarem tão próximas geograficamente que elas tendem a replicar programas desnecessariamente e não terem nenhuma peculiaridade? Agora nós temos um foco que provavelmente pode resultar em uma tese. No entanto, poderia ser melhor se limitássemos a discussão para a questão de como duas faculdades particulares tendem a trabalhar em conflito ou convergência de propostas em determinado curso, em dado período. Não é questão de ser preguiçoso; é questão de limitar a discussão ao trabalho que pode ser realizado dentro de determinado número de páginas e em dado tempo.
A sinopse deve permanecer flexível até que a tese esteja realmente concluída. Deve ser uma das últimas coisas que a serem dadas por terminadas no processo de contínuas reescritas. Se descobrirmos novas informações no processo de escrever a tese, e que devam ser incluídas na sinopse, então vamos ter que reescrevê-la. Por outro lado, se descobrimos que o trabalho está adequado, mas a sinopse parece incluir coisas que não foram realmente abordadas, então temos de limitar a sinopse.
A sinopse, geralmente, não aparece na tese – mas pode e deveria aparecer. Ela é menos que o resumo (principalmente, posto que o resumo da tese pode chegar às 500 palavras!). A sinopse pode ser a primeira frase do resumo, ou os dois primeiros parágrafos. O revisor de textos presta atenção triplicada a segmentos como sinopse e resumo: eles são os cartões de visitas do texto.

Defeitos das sinopses de tese

A sinopse da tese é o coração do texto. Na realidade, ela resume e apresenta a qualidade do trabalho. Nenhuma quantidade de exemplos claros e boa gramática podem resgatar uma tese produzida sem uma sinopse – pelo menos – implícita. Aqui estão algumas armadilhas comuns para se evitar, no que concerna às sinopses. Podem elas ser:

Redundantes. Independentemente de você estar nomeando e listando os pontos de seu argumento na tese, ou apenas os resolvendo em seus parágrafos do corpo do texto, você tem que se certificar que cada ponto seja distinto e não repita o outro.
O declínio da educação neste país tem sido causado pela falta de financiamento adequado para escolas, formação de professores precária e a insuficiência de fundos.
O primeiro ponto e o terceiro ponto aqui são basicamente os mesmos. Isso significa que o texto vai acabar se repetindo. Então, corte um dos pontos de ou reescreva o terceiro para diferenciá-lo mais do primeiro.

Factuais. A sinopse deve ser algo discutível. Em outras palavras, ela precisa ser algo de que alguém possa discordar razoavelmente. Cuidado com sinopses indiscutíveis.
No final da década de 1960, o regime militar promoveu ampla reforma acadêmica no Brasil. Ainda há resquícios daquele projeto em toda a estrutura.
São apenas fatos. Não há nada para discutir aqui. O que falta é de algum tipo de opinião ou algum tipo de percepção. Por exemplo, o autor poderia tentar olhar por que aquela reforma aconteceu. Talvez pudesse olhar como a reforma afetou os estudantes.

Dispersa. O objetivo da tese é apresentar um argumento unificado que flui de um capítulo para outro, de cada parágrafo para o seguinte. Se a tese tenta cobrir muitas coisas diferentes, o argumento e a tese em si tornam-se fragmentados.
A educação prepara os alunos para serem pensadores críticos e para se resolverem problemas complexos, ela também faz com que eles obtenham empregos bem remunerados.
A conclusão da tese sempre é vitória coletiva.
Todos enfrentam problemas
para redigir a tese, importante
é não repetir erros e aprender
as soluções para seu caso.
O primeiro e segundo pontos estão ligados, mas o terceiro está fora do lugar. Essa sinopse leva a um texto disperso. É caso de se livrar do terceiro ponto, ou relacioná-lo melhor aos dois primeiros; talvez seja um efeito, por exemplo.

Ampla. Em esforço para ter o suficiente sobre que escrever, os estudantes escolhem frequentemente uma tese muito grande. Uma grande tese pode não ser concluída no tempo disponível. Deixe o livro para depois.
Múltiplas alternativas para os problemas da educação superior no Brasil.
Este é um tema muito grande para cobrir em uma tese. O autor precisa de um foco mais estreito. Talvez possa olhar para um aspecto específico da crise educacional. Ou talvez o escritor possa se concentrar em uma ou duas sugestões que pareçam mais relevantes.

Vaga… Esse problema, como o de ser demasiado amplo, é muito comum. Cuidado com a palavras vagas e ambíguas. Leitores não podem ler sua mente, seja específico.
Professores de escola pública tendem a ser piores…

Dos rascunhos à versão primária da tese

Alguns dos problemas mais comuns enfrentados pelos pesquisadores ao escrever uma tese são relativos à sinopse mal elaborada; superados que sejam, depois surgem os primeiros rascunhos dos capítulos e, com as contínuas reescritas, sempre podendo contar com o apoio da revisão de textos profissional, vai se aproximando do produto textual final. Mas as próprias reescritas, cortes e colagens internos, mudanças de ordem, podem gerar problemas que nunca mais o autor vê – e nem mesmo o orientador; para isso, conte com a colaboração de seu amigo, o revisor do texto da tese; ele entende pouco ou nada do assunto sobre que você está escrevendo, mas ele é que entende muito de texto e tem os olhos treinados para essas falhas naturais.
Um pesquisador deve ter – e terá – reuniões com seu orientador sobre diversas questões relacionadas à tese. Uma vez que o tema de pesquisa esteja bem definido, o estudante deve ler extensivamente a literatura relacionada às questões da investigação. Ampla leitura é imprescindível. O próximo passo é escrever o projeto de pesquisa – se é que ele não foi o ponto de partida para o ingresso no programa de doutorado. O projeto deve, idealmente, incluir as hipóteses (perguntas de pesquisa), metas e objetivos do trabalho de investigação proposto, a metodologia em perspectiva, se a pesquisa vai ser empírica, teórica, especulativa e apontar as fontes e a bibliografia. Se o projeto preexiste, cumpre aperfeiçoá-lo à luz de novas informações e de refinamentos metodológicos – bem como considerando as colocações do orientador. Trata-se sempre de reescrever. Partes do projeto, senão ele todo, formam o esqueleto da tese, mutatis mutandis.
Os pesquisadores precisam empregar bem o tempo de redação do esboço da tese. Trata-se de montar o “esqueleto” do texto: estabelecer os capítulos, suas divisões, seus tópicos: a hierarquia do texto maior. O próximo passo será cobrir o esqueleto com bastante carne e alguns bons órgãos, o que pode ser facilitado se houver uma boa sinopse para cada tópico estabelecido; torna-se uma tarefa relativamente fácil, comparando-se às propostas de pesquisa em si.
De novo, tudo que foi dito sobre a sinopse da tese se aplica a cada sinopse de cada tópico, como na sinopse da tese toda: serão os pequenos bocados a serem degustados, um por vez – e com o benefício da visão de conjunto. É muito possível – provável mesmo – que, enquanto o pesquisador anda com a pesquisa, algumas modificações no esqueleto ou em cada sinopse sejam necessárias: ótimo! Isso é progresso. Não se devem evitar as mudanças; em vez disso, deve-se reescrever a tese, ou cada capítulo, cada tópico, sem prejuízo ao fluxo lógico das sinopses.
Uma vez que a proposta de pesquisa esteja pronta, deve-se fazer na mente e no papel um plano provisório dos capítulos da tese. O esboço é extremamente necessário para se manter um ritmo no trabalho. Torna as coisas mais claras quando você vê o conteúdo de tese em segmentos menores. Também é uma tendência humana a ser evitada a mania de adiar projetos de grandes volumes – segmente, fracione as ideias e os problemas e trate de um a um.
Uma tese profundamente analítica requer habilidades de boa escrita e capacidade de apresentar a discussão clara e logicamente. O recente avanço na tecnologia de computação e informação percebeu a necessidade de alguma ajuda para a comunidade de todo estudante externa e, como resultado, existem vários serviços de revisão de textos e apoio à redação (o que é perfeitamente lícito e, inclusive, altamente recomendável para qualquer autor). Esses provedores de serviço empregam profissionais qualificados e experientes. Eles asseguram que os pesquisadores recebam serviços de alta qualidade em matéria de revisão acadêmica e de formatação.

Solução de problemas da tese

Você está tendo dificuldades emocionais ou problemas pessoais? Considere a falar com um amigo, familiar ou conselheiro, terapeuta, orientador, namorado(a)… Mas fale!

Você está tendo dificuldade em gerenciar o estresse? Tente identificar o que, precisamente, está te estressando. Como você pode reduzir esses estressores ou minimizar seu impacto negativo sobre você? Se você já tentou algumas técnicas de redução de estresse, mas ainda se sente oprimido, você pode querer considerar mudar sua maneira de ser  e pode ser que isso seja mesmo necessário!

Você está lutando com a procrastinação? Algumas pessoas têm problemas com a procrastinação, porque são perfeccionistas: são pessoas que têm uma rígida, irrealista demanda que os leva a tentar obter cada detalhe perfeito ou o projeto inteiro é inútil. Tente mudar suas expectativas e melhorar seu esforço, não se atinge a perfeição.

Para evitar a procrastinação

  1. Adeque suas metas com base em seus talentos e no tempo que há disponível. Lembre-se, sua tese não precisa ser perfeita – ela precisa ser feita!
  2. Recompense-se por suas realizações. Uma saída, um descanso, uma comida gostosa – até mesmo um banho prolongado servem.
  3. Identifique as áreas em que tende a procrastinar, por exemplo, um capítulo de tese especialmente problemático. Planeje cuidadosamente como você usará seu tempo ao abordar tais áreas.
  4. Informe outra pessoa sobre suas metas de tese. Quando os outros sabem sobre seus prazos, eles podem motivá-lo a completar o trabalho segundo você programa.
  5. Todo mundo procrastina de vez em quando. Não seja tão duro com você mesmo quando você procrastinar, mas focalizar no que você pode fazer em seguida.

Você tem bloqueio de escrita? Bloqueio ocorre quando você tem dificuldade em escrever e articular suas ideias. Para enfrentar o bloqueio de escritor, tente escrever continuamente, sem interrupção por 10-15, minutos – qualquer coisa; da tese ou de fora dela. Escrever libera a escrita. Invente uma receita de bolo ou uma pequena crônica. Enquanto faz isso, não se preocupe se sua escrita é gramaticalmente correta ou se está organizada coerentemente. Essa técnica não é para produzir escrita bonita, organizada, mas para liberar o fluxo de produção.

Você está tendo problemas com o orientador? Todo doutorando tem problemas com seu orientador. Talvez ele ou ela não esteja fornecendo feedback adequado ou frequentemente não está disponível para reuniões  é o problema mais comum. Descubra se seu professor está apenas temporariamente ocupado ou se a situação é permanente. Se parece que o orientador não estará mais disponível, você pode querer encontrar-se com outra autoridade acadêmica e pode até pensar em trocar de orientador. Aquele orientador não é seu único recurso; considere outros professores quando surgem problemas ou dúvidas – mesmo mantendo o orientador original. Embora os professores sejam, geralmente, resistentes a mais textos de alunos a ler, rascunhos tese são enfadonhos mesmo, todos se sentem confortáveis falando sobre ideias.