Como escrever uma tese em dez passos

Por que escrever uma tese ou dissertação costuma ser tão frustrante? Aprender a escrever um texto longo não tem que envolver tanta tentativa e erro.

Aprender a escrever uma tese pode ser um processo irritante, enlouquecedor, frustrante, mas não tem que ser um processo assim tão insidioso. Não creio que nenhuma dica possa tornar a tese divertida; mas, pelo menos, pode-se tentar fazer que a redação não seja uma camisa de força...
Abaixo estão breves dez passos para escrever a dissertação ou tese. Essa lista de sugestões de como
Sabedoria é aproveitar o conhecimento existente, inclusive sobre como produzir conhecimento.
Pode ser uma boa ideia tentar não
morrer para escrever uma tese.
escrever a tese pode ser vista em sequência, como se passando por dez etapas sucessivas no processo de redação, ou pode ser explorada por tópico individual.

1- Pesquise muito antes de começar

Inicie o processo de redação, pesquisando o tema, tornando-se um especialista. Utilize a internet, as bases de dados acadêmicas e a biblioteca. Tome notas e mergulhe nas palavras de grandes pensadores. Parece óbvio, mas enquanto você não for capaz de se exibir para os amigos, falando de modo interessante sobre o que tem em mente, é que a ideia não está, de fato, em sua mente. É necessário ter massa crítica de informações estruturadas na cabeça para dar partida. Leia muitos fragmentos aqui e ali, mas recomendo a leitura de algumas obras integralmente; inclusive teses.

2- Analise todas as informações coletadas

Agora que você tem boa base de conhecimento, começar a analisar os argumentos dos textos que você está lendo. Defina claramente as posições de cada um deles, escreva as razões, as contrarrazões, os argumentos, as provas – faça um quadro comparativo. Procure os pontos fracos da lógica e também pontos fortes dos argumentos encontrados – faça o papel de advogado do diabo; critique mais tenazmente aqueles textos e aquelas ideias com que você pareça ter identificação. Aprender a escrever uma tese começa por aprender a analisar os textos de outras pessoas.

3- Tempestade de ideias é sempre boa ideia

Sua redação exigirá discernimento e originalidade; também algum genuíno brilho na redação. Pergunte a si mesmo uma dúzia de perguntas e responda a elas. Pense com uma caneta em sua mão. Durma com um caderno ao lado. Confie suas ideias ao papel. Vá fazer sua corrida matinal com um caderninho no bolso. Vá passear e pensar até que surjam ideias originais sobre as quais você ainda não encontrou nada escrito.

4- Escolha o ponto e não se disperse

Escolha sua melhor ideia e fixe-a em uma afirmação clara em torno da qual você possa escrever todo seu texto. Sua tese é o ponto principal, resuma tudo em uma frase concisa que permita ao leitor saber onde você está indo e porquê. É praticamente impossível escrever um bom texto sem uma tese clara. A tese tem que ter uma tese.

5- Faça um esboço, o esqueleto do texto

Esboce o texto antes de escrevê-lo capítulo por capítulo. Use frases de uma linha para descrever parágrafos e fichas para descrever o que cada parágrafo contém. Jogue com a ordem do texto: não existe uma sequência natural ou fixa, necessariamente exigida ou imposta. Mapeie a estrutura do argumento e certifique-se de que cada parágrafo apresenta um tópico, um problema, uma ideia ou uma questão nova. Pense que o texto todo em conjunto: estruture o trabalho como se o esboço fosse um esqueleto sobre o qual você vai trabalhando, adicionando órgãos e tecidos, até completar o corpo. Não pense que se pode ir escrevendo com muito sucesso os capítulos na ordem que eles serão encontrados. Você pode até escrever uma tese do primeiro ao último capítulo, como pode ler qualquer texto linearmente, mas a verdadeira sensação de coesão surge quando os textos são concebidos na totalidade e crescem em bloco. Claro que há pessoas que colocam todas as ideias na cabeça e depois discorrem sobre elas linearmente sem furos; mas, se você fosse um de tais privilegiados, certamente não estaria lendo essas sugestões.

6- Deixe a introdução para o fim

Agora sente-se e escrever o texto mágico. A introdução deve captar a atenção do leitor, definir o problema, levá-lo para sua tese. A introdução é apenas uma remissão à questão em foco, uma etapa para levar o leitor ao argumento da tese. Então, resista à tentação e não escreva a introdução agora, pule essa etapa, pois ela deverá ser a última coisa a ser escrita. Se você não fizer isso, vai ter que reescrever tudo novamente, pois não vai ser capaz de cumprir no texto tudo que prometeu na introdução, ou seu texto ficará preso, restrito, adstrito e limitado por uma introdução que, a rigor, nem deveria existir. Tem gente que gosta de usar a introdução como projeto de metas e ir modificando-a ao longo da redação, mas isso me parece um pouco de perda de tempo, se for adotado o “método global” da justaposição de tecidos sobre o esqueleto do texto.
O título e o primeiro parágrafo serão os elementos mais importantes do texto. E temos visto títulos péssimos, de duas, três, quatro linhas! Por favor: título não é sinopse. Subtítulo não é obrigação. Risque de seu título palavras como “estudo”, “randomizado”, “quantitativo”, “semiestruturado”, “estatístico” e outros bordões que, se forem necessários, surjam lá pelo capítulo metodológico ou – se você não conseguir resistir – no resumo. Ao dar um título, pense três coisas: que ele terá que ser colocado em alguns formulários (tem que caber), será bom para você se as pessoas conseguirem memorizar o título, finalmente: não escreva algo que o Google não entenda – sim, você deverá agradar à banca, mas também ao oráculo do conhecimento moderno.

7- Parágrafos existem para separar ideias

Cada parágrafo deve ser focado em uma ideia única, mas cada ideia deve ter ligação precisa com o objetivo do texto. Comece parágrafos com sentenças tópicas, fundamente as afirmações com provas, exponha suas ideias da forma mais clara, da forma mais sensata possível, sua opinião é um acessório praticamente dispensável. Fale com o leitor como se ele estivesse sentado na sua frente. Em outras palavras, em vez de escrever a redação, tente falar o texto, ainda que seja uma fala formal. Jogue fora todos os gongorismos (principalmente se você for da área do Direito, por favor!) e aquelas palavras emboloradas que só aparecem em teses repletas de embromação: deixe “destarte”, “outrossim” e palavras do gênero quando para quando você for roteirista de novela de época. “Ou seja”, na verdade, nunca foi: pode cortar todos. “Nível”, só use quando você tiver usado teodolito em sua pesquisa empírica.

8- Claro que você chegou a conclusões

Seja breve e agradeça ao leitor por ter te suportado até ali, fazendo uma rápida sentença de encerramento. Se você argumentou bem, sua conclusão está implícita no texto e não precisa recuperar toda aquela lógica novamente. Há orientadores e bancas que não querem muito esforço, ou não querem sofrer seu texto todo e preferem uma conclusão que lhes poupe o trabalho de ler tudo. Poupe a eles da leitura de um texto exaustivo, truncado, panegírico e gongórico, apresente conteúdo e raciocínio no corpo da tese e você será poupado de uma conclusão repetitiva pelo benefício de um texto enxuto.

9- Não pense que as referências podem ficar para depois

Formate a tese de acordo com as diretrizes corretas para citação. Mas faça isso desse o início! Não seja bobo: lance em um programa de gerenciamento de dados bibliográficos as informações sobre qualquer coisa que você leia. Depois, pode excluir o que não for usado (automaticamente!). Não conhece nenhum programa que faça isso? Vou te dizer o nome de um só: Word! Sim, olhe lá no alto, há uma aba onde está escrito “referências”. Aquela aba não é enfeite, ali há todos os recursos necessários para controle das referências; tudo mesmo. As ideias e citações alheias devem ser corretamente citadas no corpo do seu texto, então vá amarrando cada ideia a seu dono.

10- Os aspectos linguísticos são totalmente relevantes

Você não tem um texto até que tenha polido o idioma, corrigindo a gramática, fazendo com que o fluxo de sentenças tenha ritmo, ênfases adequadas, ajustando a formalidade do texto, dando-lhe um tom equilibrado e fazendo outras edições intuitivas. Reescreva até que o texto esteja do jeito que você quer que ele soe e que o som seja agradável ao leitor. Escrever uma tese pode ser tedioso, mas você não quer estragar as horas de trabalho conceitual que você colocou em sua tese, deixando furos e frases obscuras ou desnecessárias.

11- Onze? Mas não seriam dez passos?

Seriam, mas nós temos que promover nosso trabalho: depois de tudo escrito, mande revisar. Todo texto, mas todo mesmo precisa de uma revisão feita por alguém que nunca colocou os olhos obre ele antes de ficar pronto. Melhor se for alguém que tenha profundo conhecimento linguístico. Prefira alguém que tenha tempo para revisar seu texto com exclusividade, dedicando-se ao trabalho integralmente. Procure alguém que possa fazer um bom trabalho no prazo exíguo que vai ter. Essa pessoa de que você precisa é um revisor profissional. Nós somos revisores profissionais, nossa especialidade são as teses e dissertações.
Inspirado por aqui.

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