Estrutura geral da tese e da dissertação

Os trabalhos acadêmicos maiores – monografias, dissertações e teses, relatórios – seguem estrutura mais ou menos homogênea, apresentada na ordem abaixo, com pequenas variações. Quando esses trabalhos são transformados em livros, a base é a mesma, apenas com variações formais.

Pré-texto

As deses e dissertações deve ser concluídas em arquivo unificado.
Com pequenas variações, essa é
a ordenação estrutural básica dos
textos acadêmicos mais longos
como uma tese ou dissertação.
  • capa (*);
  • folha de rosto;
  • ficha catalográfica;
  • folha de aprovação (**);
  • nominata (**);
  • dedicatória (*);
  • agradecimentos (*);
  • sumário;
  • epígrafe (*);
  • índices: de figuras, mapas, tabelas, gráficos, fotografias (*);
  • lista de abreviaturas (ABNT, NB-14: 01.05.001 e ISO 832-1975);
  • resumo.

Texto

  • introdução;
  • desenvolvimento;
  • conclusão.

Pós-texto

  • referências bibliográficas ou bibliografia;
  • anexos ou apêndices (*);
  • glossário (*);
  • índices onomásticos, remissivos, cronológicos, toponímicos (*);
  • contra-capa (*).
Formatação e revisão de textos acadêmicos devem ser feitas por profissional.
Aqui uma imagem mais detalhada dos elementos que compõem a tese e a dissertação.

As partes mais importantes

Resumo

O resumo do trabalho tem por objetivo dar visão rápida do conteúdo ao leitor, para que ele possa decidir sobre a conveniência da leitura do texto inteiro. Deve ser totalmente fiel ao trabalho e não pode conter nenhuma informação que não conste do texto integral. A primeira frase do resumo deve ser significativa, explicar o tema principal do documento. Não devem constar do resumo citação de autores, tabelas e figuras.
O resumo pode ser precedido da referência bibliográfica completa do documento e deve, preferencialmente, estar contido em único parágrafo e única página. De acordo com a norma da ABNT (NBR 6028), o resumo deve conter até 250 palavras para monografias e até 500 palavras para dissertações e teses.
O resumo deve ser vertido para o inglês, por ser a língua de maior difusão da produção científica, sendo facultado ainda fazer versões para outras línguas, o francês comumente, em caso de interesse específico. Esse abstract ou o résumé são inseridos depois do resumo.

Texto

“Conjunto de palavras e frases articuladas, escritas sobre qualquer suporte” (CAMARGO e BELLOTTO, 1996:74). “Obra escrita considerada na sua redação original e autêntica (por oposição a sumário, tradução, notas, comentários, etc.)” (AURÉLIO).
Chamamos de texto, em sentido restrito, a parte em que todo o trabalho de pesquisa é apresentado e desenvolvido; deve expor raciocínio lógico, ser bem estruturado, fazer uso de linguagem simples, clara e objetiva. Neste sentido, texto se distingue de pré-texto e pós-texto, partes do trabalho acadêmico que o integram mas se destinam a complementar as informações essenciais trazidas pelo núcleo da produção, o texto.

Capítulos

O desenvolvimento dos capítulos varia muito conforme o tipo do trabalho. Em pesquisas experimentais é comum subdividir essa parte em revisão da literatura, metodologia, resultados e discussão. Entretanto, em pesquisas qualitativas, muitas vezes essa estrutura não é adequada.
Em qualquer tipo de pesquisa é importante apresentar os trabalhos realizados por outros pesquisadores. A redação desta revisão da literatura normalmente é de grande dificuldade, sobretudo pelos que se iniciam no universo científico-acadêmico. Em face dessa dificuldade, muitos optam por apenas resumir os trabalhos lidos em um ou dois parágrafos e apresentá-los em ordem cronológica. Deve-se evitar esse tipo de redação, pois, além de tedioso, o texto escrito dessa forma não apresenta de maneira eficiente o que já existe publicado sobre o tema. O texto deve apresentar as diferentes correntes de pesquisadores que estudaram a questão, deve ser fluente e os parágrafos devem possuir articulação entre si, cada um contendo idéias que evoluíram do parágrafo anterior e que preparam o seguinte.
Apesar de ser mais comum a apresentação dos trabalhos em ordem lógica direta ou cronológica, isto não é regra, os trabalhos mais antigos podem ser apresentados posteriormente, desde que a clareza do texto o justifique. Para facilitar a redação, opção bastante usual é dividir a revisão da literatura em partes, conforme os assuntos. É fundamental que a revisão da literatura possua consistência com o objetivo proposto, os trabalhos apresentados devem ter relação direta com o tema do trabalho.
A metodologia empregada deve ser destacada em um tópico, com rigor de detalhes, de forma a permitir sua total repetição por outros autores.
Para maior clareza, qualquer capítulo poderá ser subdivido de acordo com as particularidades de cada área. Em pesquisas qualitativas, a completa descrição das fontes é imprescindível.
Em pesquisas experimentais, convém destacar os resultados em texto descritivo, apresentando de maneira objetiva os resultados encontrados. Não fazer nenhum comentário sobre os resultados encontrados, reservando-os para a discussão. Os resultados devem ser expostos na forma de texto, tabelas, gráficos – o que couber melhor. Normalmente se evita apresentar os resultados apenas em tabelas. Podem ser usados gráficos para ilustrar os resultados, mas eles não dispensam sua apresentação na forma de texto ou tabelas. Deve-se checar que todos os resultados tenham sido obtidos por metodologia já descrita, bem como verificar se todas as metodologias descritas possuem resultados apresentados. Na discussão, deve-se ter em mente que não se trata apenas de fazer a discussão dos resultados, mas do trabalho. Assim, todas as etapas devem ser discutidas: objetivo, literatura, metodologia e resultados. Cabe sempre discutir a pertinência do trabalho em questão e as motivações que levaram o autor a conduzir o trabalho.
Em seguida, discorre-se sobre a metodologia empregada e as alternativas a ela. Os resultados serão discutidos em duas etapas: primeiro a explicação do autor para os resultados encontrados, depois a comparação entre os resultados encontrados e os disponíveis na literatura, com os respectivos comentários pertinentes.
Por fim, faz-se o balanço do trabalho com eventuais proposições de novos trabalhos para as novas questões que se apresentarem face aos resultados encontrados. Para cada questão respondida pelo trabalho devem surgir várias outras novas. É importante que sejam discutidos apenas aspectos apresentados nos capítulos anteriores, não apresentando fatos ou resultados novos nem sendo citados autores que não tenham sido previamente mencionados.

Conclusões

As conclusões e recomendações apresentam, objetivamente, o desfecho do trabalho a partir dos resultados. É sempre importante apresentá-las de maneira relativa. Evita-se a redação do tipo “não houve influência do rádio na aculturação dos povos indígenas…”, e se dá preferência a textos como “não foi possível demonstrar a influência do rádio na aculturação dos povos indígenas…”.

Colocam-se lado a lado os objetivos e as conclusões, assegurando-se que não tenham sido citadas conclusões que não foram objetivos do trabalho.

Anexos ou apêndices

Material suplementar de sustentação ao texto (por exemplo: questionário aplicado, roteiro de entrevista ou observação, lei discutida no corpo do texto).

Glossário

É a explicação dos termos técnicos, verbetes ou expressões que constem do texto ou que o complementem. Elemento facultativo, a ser inserido de acordo com necessidade, é uma lista em ordem alfabética de palavras especiais, de sentido pouco conhecido, obscuro ou de uso muito restrito, ou palavras em língua estrangeira acompanhadas de suas respectivas definições.

Índices

Listas em ordem alfabética contendo elementos e suas respectivas páginas, de modo a possibilitar sua localização no volume; por exemplo, índice onomástico (nomes das pessoas - autores ou sujeitos - no texto), índice toponímico (relação dos lugares ou acidentes geográficos), índices de quaisquer outros elementos existentes em profusão no texto, por exemplo, drogas, legislação, atividades, procedimentos.
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