Referências no texto acadêmico

Antigamente, colocava-se ao fim de cada trabalho escrito uma bibliografia. Com advento de novas mídias, passou-se a usar o termo referências bibliográficas para a listagem de obras consultadas. Atualmente, a recomendação é usar apenas a expressão referências, pois elas pode ir bem além das obras livrescas.
Dissertações e teses são nosso objeto de trabalho.
Mantenha o registro das referências
desde o início da pesquisa. Deixar
para o fim resulta sempre em perda
de informações.
Mas ainda se deve se distinguir o que normalmente se confunde:
Referências são o conjunto de indicações que possibilitam a identificação de documentos, publicações, no todo ou em parte. Referência: “‘Nota informativa de remissão’ (em publicação); ‘fonte de esclarecimento’ (para o leitor)” (AURÉLIO).
Bibliografia é o conjunto de obras (livros) pesquisadas a que o leitor pode recorrer para aprofundamento sobre o assunto do trabalho. “Documento que apresenta lista de referências bibliográficas, usadas em ordem alfabética, relativas a um ou mais assuntos. Parte de uma obra na qual se listam as referências bibliográficas de obras recomendadas para leitura complementar” (AURÉLIO).
Em geral, usa-se o termo referência (no singular) para a anotação junto a uma citação, direta ou indireta, como existem muitas dessas anotações elas se tornam referências (o conjunto das anotações, o que não se confunda com as referências (sempre no plural) que são a listagem das obras citadas e referidas.
Confundem-se também referência e citação, por serem elementos relacionados, mas vale observar que são coisas bem distintas.
No Brasil todo, o mais comum para trabalhos acadêmicos é usar regras adaptadas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), mas há centenas de normas e de interpretações delas. Notem que o programa de editoração de textos mais comum, o Word, tem uma aba para referências, onde se pode gerir todas as obras pesquisada, fazer as devidas citações e mesmo inserir a listagem ao fim do trabalho.
  • Formas de referência
Entre as muitas formas pelas quais a referência bibliográficas pode ser feita, escolha-se a mais conveniente, de acordo com o tipo de trabalho e as exigências da instituição a que ele se destina.
Não há menção na NBR 10520 para que os nomes dos autores no corpo do texto devam aparecer em maiúsculas ou versalete, todos os exemplos da NBR 10520 estão com apenas a primeira letra em maiúscula, mas essa prática é difundida e entendemos haver justificativa: facilita visualmente a localização dos autores no texto. Consideramos mais elegante ainda o uso do versalete (letras versais), pois torna o texto mais agradável à vista, fazendo o destaque necessário. Basta selecionar o nome do autor e comandar Control+Shift+K no Word.
  • Referência completa
Aplica-se raramente no texto. Essa referência reproduz integralmente os dados da obra citada, fica muito longa e é adequada exclusivamente às listagens bibliográficas (bibliografia).
Exemplo:
“… a democracia tem a demanda fácil e a resposta difícil; a autocracia, ao contrário, está em condições de tornar a demanda mais difícil e dispõe de maior facilidade para dar respostas” (BOBBIO, Norberto. Il futuro della democrazia, in: Nuova civiltà delle machine, II, verão, 1984, pp. 11-20 – trad. bras. de Marco Aurélio Nogueira, São Paulo: Editora Paz e Terra, 7ª ed. revista e ampliada, 2000, p. 49, apud RIBEIRO, Wladimir Antonio. Em busca do federalismo perdido. Coimbra: Dissertação de Mestrado, Universidade de Coimbra, 2001, p. 52).

É claro absurdo fazer referência assim: ela é muito maior que a própria citação. Além disso, é referência indireta: Bobbio citado por Ribeiro; traz mais informações que o necessário: o tradutor é informação raramente pertinente.
Revisamos teses e dissertações com máxima atenção.
O trabalho de citar e fazer as
referências não precisa mais
ser manual.
  • Referência abreviada
É a forma mais aceita e usual, consiste simplesmente em mencionar o sobrenome do autor, o ano da publicação e letra identificadora (quando couber), seguindo-se dois pontos e o número da página ou páginas correspondentes.
“Com base em BEAVER (1981:50) é possível identificar algumas relevantes conseqüências econômicas da informação contábil…” (MARTINEZ, 2001:18).
O nome do autor e os dados numéricos podem vir dentro ou fora dos parênteses, dependendo de integrar ou não o texto. Há quem prefira manter em caixa-alta, ou versalete, apenas quando dentro dos parênteses, mas consideramos que importante mesmo é a uniformidade de critério.
  • Referência codificada
Usa-se para obras de domínio público, em que as diversas edições estão codificadas de modo que a referência possa ser identificada em qualquer delas: (Luc. I,20) Lucas, Capítulo I, versículo 20.
Pode ser usada ainda quando o autor se refere inúmeras vezes ao mesmo trabalho, de forma específica ou generalizada: como FOLHA ou AURÉLIO, neste trabalho, para referir ao Manual de redação da Folha de São Paulo ou ao Dicionário Aurélio eletrônico – Século XXI.
  • Referência numerada
A referência é introduzida numericamente, ao longo do texto, entre parênteses, sobrescrita ou entre colchetes, de acordo com a listagem ao fim do artigo, do capítulo ou da obra. Não se recomenda esse procedimento, apesar de ser exigido por algumas publicações e raros departamentos de universidades. Dificulta a leitura, levando leitor a desprezar a informação. Não tem mais justificativa; os outros procedimentos de maior legibilidade são facilmente empregados com uso do computador.
  • Localização das referências às citações
Antes do texto: Quando o texto se refere exclusivamente a determinada publicação, como ocorre nas resenhas, resumos e recensões.
No texto: A referência vem logo após o texto, conforme os exemplos acima, ou antes da própria citação, para benefício do leitor, quando se tratar de referência a trabalho ou idéias de autor único.
Exemplo:
“A horticultura é a principal atividade econômica desenvolvida no município de Mário Campos. Segundo a EMATER-MG (1999:4),
‘… a agricultura do município envolve aproximadamente 1.200 trabalhadores (meeiros, parceiros, arrendatários, proprietários, diaristas, atravessadores) que estão diretamente ligados à produção agrícola, garantindo a sobrevivência de 235 famílias’” (Apud RODRIGUES, 2002:53).
  • Referência em pé-de-página
Coloca-se o número sobrescrito que deverá ser repetido no rodapé da página; o corpo indicado para as notas de rodapé é o 10, para ambas as fontes usadas. O autor opta por esse procedimento quando prefere deixar o texto mais leve, ou quando a imediata identificação da fonte não é item essencial ao raciocínio desenvolvido:
“Todavia, na Alemanha, ‘as bases naturais do federalismo se debilitaram progressivamente’ . Visto de outro modo, ‘os pressupostos da formação da unidade federativa: uma diferenciabilidade dada dos Estados-membros, cuja individualidade, pela construção federativa, deve ser conservada, assegurada e unida para a colaboração comum na unidade do Estado-total, na República Federal da Alemanha, em grande parte deixaram de existir’” (Apud RIBEIRO, 2001:50).
  • Ao final de cada parte, capítulo ou do trabalho
As referências aparecem em forma de notas no final. Devem ser numeradas em ordem crescente. Não é mais recomendado esse procedimento, deve-se evitá-lo. Fazer isso dificulta o acesso do leitor à informação, trunca a leitura e prejudica a apreensão do conteúdo, caso o leitor consulte a cada ocorrência. O que ocorrerá mais freqüentemente é que o leitor desprezará a informação suplementar.

Lista bibliográfica (bibliografia) 

É a relação do material consultado para elaboração do trabalho. “Parte de uma obra na qual o autor apresenta as referências bibliográficas dos documentos consultados, de obras recomendadas para leitura complementar” (AURÉLIO).
Deve ser apresentada em ordem alfabética pelo sobrenome do autor, em ordem cronológica crescente; quando o autor tem mais de uma obra editada no mesmo ano devem-se usar as letras a, b, c,…, em minúscula. Exemplo: 1998a, 1998b, 1998c, 1999, 2001… As obras individuais do autor antecedem as obras coletivas em que ele aparece.
Quando o autor tem mais de uma obra citada no mesmo ano, a segunda obra e as seguintes devem seguir a ordem alfabética de acordo com o título da obra. Evita-se substituir a repetição do nome pela barra de espaços ____ , procedimento arcaico e que impossibilita a ordenação e identificação eletrônica do segmento.
Exemplo extraído da Bibliografia de FERREIRA, NRS, 2001:
MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. 2.ed. Lisboa: Instituto Piaget, 1995.
MORIN, Edgar. Ciência com consciência. 4. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000a.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2000b.
MORIN, Edgar; Moigne, Jean-Louis Le. A inteligência da complexidade. 2.ed. São Paulo: Peirópolis, 2000.
Importante não confundir bibliografia (relação de obras sobre um assunto - mais indicado em teses e dissertações) com referências bibliográficas (lista de obras a que o texto se refere - mais indicado em artigos).

Para ler outras postagens que podem te interessar, passe o mouse pelas imagens abaixo!